Ciclismo Urbano

Pedalar com frio e chuva? Porque não?

Os dias invernosos são aqueles que mais facilmente desmotivam qualquer ciclista. O nosso país nem é dos mais frios — não temos de lidar com a neve como os holandeses ou os alemães, por exemplo — mas, quando a chuva não dá tréguas, há quem deixe a bicicleta guardada e só a volte a usar nos dias quentes de verão, quando sente mais prazer em pedalar. Mas não tem de ser assim. Todos os dias são bons para pedalar, tomando algumas medidas prévias.

Mesmo no inverno, por vezes o sol espreita, afugentando a chuva e o frio. E que dizer dos dias de primavera, tão instáveis quanto prazenteiros? Depois de uma chuvada, os raios de sol fazem as ruas brilhar, o ar fica mais limpo, e parece que o mundo surge novinho em folha perante os nossos olhos. Nessa altura, pegar na bicicleta e seguir caminho pode tornar-se uma aventura especialmente bonita.

Mas também uma aventura que pode trazer percalços, é claro. O piso molhado está mais escorregadio do que o normal, e as poças de água podem esconder perigos vários, desde buracos a objetos capazes de furar um pneu. Por isso, aqui seguem algumas dicas para assegurar uma viagem confortável e segura.

Roupa

Antes de mais, vista-se em camadas. Compre roupas quentes e impermeáveis específicas para andar de bicicleta, pois estas foram concebidas para as posições e movimentos do corpo de um ciclista enquanto pedala na bicicleta. Luvas e calçado de boa qualidade e que protejam do vento são essenciais, porque as mãos e os pés são as partes do corpo que enregelam primeiro. Leve consigo uma ou duas camadas extras, para o caso de o tempo piorar, e uma mochila onde possa guardar algumas peças no caso de o tempo ficar mais quente. De qualquer forma, mesmo que sinta um pouco de frio quando monta na bicicleta, não se esqueça que se sentirá mais quente ao fim de umas pedaladas. Se não tiver frio nenhum, é porque está demasiado vestido!

A bicicleta

Tente não usar sua bicicleta “boa” para um passeio com frio e chuva pelo meio, pois as condições climatéricas agrestes podem ser prejudiciais à bicicleta. Se tiver uma bicicleta antiga armazenada, use-a, deixe-a apanhar ar. Ou então, pode usar o mau tempo como desculpa para comprar aquela bicicleta robusta que tem andado a namorar. Em dias de chuva, recomenda-se ter uma menor pressão nos pneus, para facilitar a aderência ao asfalto, mas claro, tudo depende de como se sente mais confortável. Sobretudo, lembre-se de lavar a bicicleta depois de cada viagem ¬— não só a água, mas também a lama e outros resíduos que ficam presos às rodas e no quadro, podem corroer o metal.

De seguida, aplique um lubrificante para manter tudo a funcionar sem problemas, e assegurar que não tem surpresas na sua próxima viagem.

Os pneus

Os furos nos pneus acontecem com mais frequência em dias de chuva — precisamente aqueles em que não nos apetece estar ao relento — porque as poças de água podem ocultar vidros partidos e outros objetos hostis aos pneus. Por isso, é conveniente levar sempre consigo câmaras de ar extra e uma bomba. Se estiver a liderar um grupo num passeio, por exemplo, certifique-se de que tem material suficiente para atender a todos os elementos que possam necessitar de reparar um furo.

Comida e bebida

Se o percurso que vai fazer é longo e não prevê que haja cafés ou restaurantes pelo caminho, leve consigo barras energéticas, café ou chá e muita água. Armazene as bebidas quentes em garrafas térmicas com revestimento duplo para as manter quentes.

Outras recomendações

Leve sempre luzes, porque pode escurecer de repente ou cair uma daquelas chuvadas que limitam a visibilidade — e você quer estar sempre bastante visível para os automobilistas. Mantenha sempre uma pequena luz recarregável no guiador e invista numa luz traseira mais brilhante que tenha modo de piscar. Bastante recomendável também é ter guarda-lamas em ambas as rodas, para evitar os desagradáveis salpicos de água e lama, tanto para cima de si, como de outros colegas ciclistas. E, finalmente, se pedalar em dias mais frios, não se esqueça de usar um creme hidratante e um protetor para os lábios. Pode não parecer importante, mas a pele ressente-se da exposição ao ar frio.

É nestas alturas que acontece a maior parte dos acidentes

Conduzir uma bicicleta pela cidade não é uma atividade isenta de riscos. Tens ideia de quais são os dias e as horas em que há mais probabilidade de acontecer uma colisão com um carro? E sabes quais são os locais onde é mais provável que aconteçam acidentes? Uma firma americana de advogados, a Rosenthal & Kreeger, juntamente com uma equipa da agência 1Point21, reuniu uma série de informações e estatísticas sobre acidentes envolvendo bicicletas. E chegaram a algumas conclusões interessantes relativamente ao panorama dos EUA.

Os acidentes fatais estão a aumentar

Em 2017, nos Estados Unidos, houve 783 mortes de ciclistas (incluem-se aqui condutores de bicicletas, triciclos, monociclos e veículos não motorizados de duas rodas), o que representa 2,1% de todos os acidentes de trânsito. Este valor diminuiu 8% em relação ao ano anterior. Contudo, a tendência a longo prazo não é tão positiva, pois na realidade as mortes de ciclistas aumentaram em 13% nas áreas urbanas desde 2008. Nas áreas rurais acontece o oposto, uma vez que as fatalidades diminuíram em 15%.

Apenas se verifica uma diminuição constante do número fatalidades entre as crianças, uma vez que a maioria dos estados norte-americanos instituiu leis acerca do uso de capacete. Ainda assim, os estudos demonstram que mais de metade dos adultos não usa capacete. Geralmente, as lesões mais graves num contexto de acidente de bicicleta ocorrem na cabeça, o que significa que o número de mortes poderá diminuir quanto mais os adultos usarem também capacete.


Há oito vezes mais mortes de ciclistas masculinos que femininos

As estatísticas também mostram que as mortes derivadas de acidentes em bicicleta foram oito vezes mais nos homens do que nas mulheres, sendo os homens entre os 45 e os 64 anos quem sofre lesões com mais frequência. Uma das principais causas de acidentes é falta de atenção. Existem muitos ciclistas que usam dispositivos de mãos-livres e headphones enquanto pedalam no meio do trânsito, por exemplo, o que pode ter consequências nefastas, pois ficam menos alerta para o ambiente em redor. Outro fator que pode provocar acidentes é o consumo de álcool, que foi registado em 37% das ocorrências.

30% dos acidentes acontecem em cruzamentos

A boa notícia é que os ciclistas estão relativamente seguros a pedalar nas ciclovias, onde acontecem apenas 4% dos acidentes. No geral, a maioria dos acidentes fatais de bicicleta ocorre em áreas urbanas, com 30% dos acidentes a acontecer em cruzamentos e interseções.

As horas mais propensas a acidentes

Foi também possível aferir qual a altura do dia, e em que dia da semana, existe mais propensão para acontecerem acidentes. A maioria dos acidentes ocorre quando a luz do dia diminui aos fins de semana, e quando o trânsito é intenso durante a semana (ou seja, nas horas de ponta), ao fim do dia. Esses fatores também têm influência no número de fatalidades. No horário das 18h às 21h acontecem mais mortes entre os ciclistas do que em qualquer outro horário do dia. Além disso, 45% de todas as mortes ocorrem em contexto de fracas condições de visibilidade, ou seja, ao anoitecer.

Nos EUA, os acidentes custam cerca de 230 mil milhões de dólares por ano

Também a contribuir para o aumento de acidentes está o facto de ser cada vez mais popular usar a bicicleta como meio de transporte habitual. Infelizmente, isto combinado com as distrações enquanto se conduz, tem o seu preço. De acordo com um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, São Francisco (2013), os custos médicos dos acidentes de bicicleta não fatais têm vindo a aumentar progressivamente em 789 milhões de dólares a cada ano. O estudo concluía que, à data, as lesões fatais e não fatais somavam 237 mil milhões de dólares.

Legendas gráficos: 1 – Acidentes nos EUA 2 – Acidentes por idade, grupo e local 3 - As horas mais críticas para conduzir uma bicicleta 4 – Acidentes de bicicleta também dependem da hora do dia

Viver em casas pequenas: Onde é que eu arrumo a bicicleta?

É um dos grandes dilemas de quem vive em apartamentos e lida diariamente com a falta de espaço. Quando não se tem uma garagem ou uma divisão específica para guardar as bicicletas, e deixar na rua (ainda que devidamente presa com cadeado) não é uma opção, como arrumar a bicicleta em casa sem que nos atrapalhe a circulação?

A situação só se agrava quando se tem mais do que uma bicicleta. E nem é preciso muito esforço, basta pensar numa família de dois adultos e uma criança, em que cada um tem a sua própria bicicleta. Se a casa tem, digamos, quatro ou cinco assoalhadas, facilmente se pode fazer uma gestão eficaz do espaço, de forma a reservar uma divisão para as bicicletas e todos os acessórios, roupa, ferramentas, etc. Mas o caso muda de figura quando falamos de pequenos apartamentos, com pouco mais do que uma sala e um ou dois quartos.

E temos ainda outros desafios para ultrapassar... O que fazer quando se mora num quarto andar sem elevador? Carregamos a bicicleta escada acima e escada abaixo sempre que precisamos dela? A solução pode passar por não subir as escadas de todo. Caso haja espaço suficiente na entrada do prédio, que tal sondar os vizinhos e o condomínio, e pedir autorização para deixar a bicicleta na entrada, num sítio onde não impeça a circulação? Isto só será viável, claro, se achares que é seguro, e recorrendo a cadeados para deixar a bicicleta bem presa. Afinal, basta a porta do prédio não ficar bem fechada e podes descobrir pela manhã que ficaste sem a tua bicicleta.

Não sendo esta uma opção, nada como levar então a bicicleta para casa. E aqui o truque é ser criativo, procurando incorporar a bicicleta na decoração da casa. E já sabes, quanto mais bonita for a tua bicicleta, mais a tua casa parecerá saída de uma produção de revista. Podes simplesmente encostá-la a um parede, o que é prático, pois não tens de te esforçar muito sempre que queres sair para dar uma volta. Ou podes, por exemplo, colocar uns suportes para pendurar a bicicleta na parede. Quem precisa de quadros se podes ter a bicicleta por cima do sofá? Há, contudo, que ter em consideração a possível sujidade. Antes de entrares em casa com a bicicleta faz uma limpeza básica, para evitar marcas das rodas ou de óleo nas paredes. Caso tenhas uma bicicleta dobrável, a arrumação fica claramente facilitada, pois por ser compacta fica bem em qualquer cantinho.

Eis algumas sugestões de arrumação que funcionam bem em casa pequenas (e mesmo em casas grandes):

Ganchos – Se as paredes lá de casa forem resistentes o suficiente, podes fixar um gancho (idealmente, revestido a borracha), para pendurar a bicicleta pela roda dianteira ou traseira, ficando a bicicleta na posição vertical. Assim garantes que a bicicleta não atrapalha nem cai facilmente ao chão.

Suportes – Há muitos diferentes tipos de suportes, mas a ideia é sempre a mesma: pendurar a bicicleta pelo quadro. Alguns suportes permitem até pendurar mais do que uma bicicleta, e outros podem ser rebatíveis, para quando não estão a ser usados.

Pendurar no teto – Esta é uma boa solução para quem tem uma casa com pé direito alto. Usando uma estrutura de cabos e roldanas, a bicicleta pode ficar arrumada junto ao teto, e assim não rouba espaço útil à casa.