BTT & Estrada

Rota Vicentina: umas férias inesquecíveis em bicicleta


Para os apaixonados pela natureza e pela bicicleta, viajar em duas rodas é uma forma de juntar o útil ao agradável. Ao mesmo tempo que se passam umas férias fora do comum, descobrem-se percursos e paisagens que dificilmente estão ao alcance de quem viaja de carro. E o nosso país está repleto de percursos deslumbrantes para fazer em bicicleta, como os trilhos da costa alentejana e do barlavento algarvio, que dão pelo nome de Rota Vicentina.

São mais de mil quilómetros cicláveis no sudoeste de Portugal, que vão desde a zona de Sines e Santiago do Cacém até à Ponta de Sagres. Seja pelo meio do campo, descobrindo as cores da vegetação e das flores campestres, seja junto ao mar, por entre falésias e paisagens de cortar a respiração, existem diversos trilhos adequados para fazer de bicicleta — todos devidamente assinalados e com marcações para saber exatamente por onde seguir.

Quem faz o gosto ao pedal pode descobrir caminhos rurais e de serra, passar por aldeias e montes, e descobrir não só a cultura riquíssima desta região, como aproveitar o ritmo vagaroso para apreciar também a gastronomia e, porque não, dar um mergulho numa das belas praias da costa alentejana. Ao longo da viagem haverá certamente a companhia de cegonhas a cruzar o azul do céu e o suave aroma das estevas em flor.

Localidades emblemáticas da Costa Vicentina como Porto Covo, Vila Nova de Milfontes, Zambujeira do Mar, Almograve, Aljezur, Cabo Sardão, Odeceixe ou Sagres merecem bem uma visita em bicicleta, pois na verdade o melhor de tudo nem é chegar a estes destinos: o melhor de tudo é mesmo o caminho para lá chegar, por entre maravilhas naturais e paisagens arrebatadoras.

De facto, o que não falta em qualquer dos percursos escolhidos é o contacto com a natureza em estado quase selvagem. E, por isso mesmo, os promotores da Rota Vicentina fazem questão de recordar que este é um tipo de turismo sustentável, em que se pretende o máximo de respeito e cuidado com o ecossistema envolvente.

Os percursos que compõem a Rota Vicentina estão organizados em cinco núcleos, ou portas de entrada: Odemira, São Teotónio, São Luís, Santa Clara-a-Velha e Colos. Existem ao todo 38 percursos preparados para BTT, apresentando quatro níveis de dificuldade, e devidamente indicados para que possam ser realizados em autonomia e em completa segurança.

Os níveis de dificuldade vão do Fácil (acessível a entusiastas com ou sem experiência e com pouca resistência física, declives inferiores a 10% com média inferior a 5%, sem obstáculos) ao Muito Difícil (para praticantes com bastante experiência e elevada resistência física, com bicicletas de qualidade, podendo ser bastante técnico e apresentar todos os tipos de obstáculos, grandes subidas e declives máximos que podem ultrapassar os 20% e piso imprevisível).

A melhor época para fazer estes percursos será entre Setembro e Junho. E já agora, uma dica: caso o percurso escolhido seja pela zona de Aljezur, vale a pena descobrir um grupo de BTT local, que junta o amor pela natureza à irreverência e ao bom-humor, os The Understands, que é como quem diz, em bom português, Os Percebes [https://www.facebook.com/TheUnderstands].

Dicas para conseguir pedalar com vento

Há alturas em que o vento pode ser um grande aliado do ciclista. Mas há outras alturas em que pode ser o seu pior inimigo, obrigando a um esforço redobrado e impelindo-nos no sentido contrário ao que queremos ir. No ciclismo, tal como na vida, as coisas nem sempre correm como queremos. E quando o vento está contra, há que saber lidar com isso, para conseguirmos avançar sem perder muita velocidade. Ou, pelo menos, para não nos cansarmos demasiado. Aqui ficam algumas dicas para quando o vento não está de feição.

A melhor estratégia para pedalar em dias ventosos é encontrar um caminho ou percurso que, de algum modo, ofereça alguma proteção do vento. Prédios ou fileiras de árvores, por exemplo, protegem dos ventos laterais. Um percurso pelo meio de uma floresta ou parque com colinas também é uma boa opção, uma vez que a força do vento fica diluída. O mesmo vale para bairros com ruas estreitas e casas de ambos os lados, que cortam o vento.

Mas as rajadas de vento são inconstantes e podem mudar de direção a qualquer momento. E nem sempre temos uma variedade de rotas alternativas à nossa disposição. De modo geral, uma boa regra a seguir é debruçarmo-nos sobre o guiador de forma a reduzir a resistência ao vento. É também conveniente não usar roupas muito largas ou volumosas, uma vez que estas acabam por enfunar como velas e fazem com que seja mais difícil pedalar. Ter uma bicicleta o mais “limpa” possível de adereços também reduzirá as resistência ao vento. Finalmente, usar uma mudança mais baixa do que o normal também facilita, pois apesar de parecer que te faz andar mais devagar, na verdade irá fazer com que te canses menos.

«O vento nunca está a teu favor — ou está contra ti, ou estás a ter um dia bom.» ¬[Daniel Behrman]

Quando pedalamos e estamos expostos a fortes rajadas de vento, é importante ter atenção à tração. Se, por exemplo, houver vento cruzado desagradável vindo do teu lado direito e, de seguida, fizeres uma curva à direita, o vento pode fazer voar a tua bicicleta por baixo de ti (enquanto um vento cruzado a partir da esquerda aumentará a tração, ao gerar força descendente sobre ti e a bicicleta). A tração torna-se ainda mais complicada ao pedalar em pisos escorregadios, como metal molhado ou poças de água — neste caso, será conveniente diminuir a velocidade.

Eis uma dica dos ciclistas de estrada: pedala em grupo. Podes reduzir a energia e esforço despendido em cerca de 20 por cento se o fizeres, uma vez que ao pedalar em pelotão o ciclista da frente protege os que seguem atrás. Podem trocar regularmente de posição, com o líder a passar para a cauda do grupo e o segundo da fila a passar para a dianteira — deste modo, todos têm a hipótese de descansar.

Só nos damos conta do vento quando ele está contra nós

Num cenário de rajadas de vento cruzadas, o melhor é pedalar atrás e ligeiramente de lado em relação à pessoa que vai à nossa frente num grupo. A estratégia funciona mesmo com apenas dois ciclistas a pedalar lado a lado, uma vez que a pessoa à retaguarda estará sempre um pouco protegida.

A estratégia mais óbvia para vencer o vento é pedalar na direção em que o vento sopra, e se tiveres essa sorte no percurso que vais fazer, irás certamente chegar mais rápido do que esperavas. Mas, quer o vento esteja nas tuas costas a ajudar-te, ou a soprar-te na cara e a atrapalhar-te, é sempre bom considerar ter no guarda-roupa algum equipamento à prova de vento. Rajadas de vento na ordem dos 32 km/hora podem fazer com que a temperatura pareça ser bastante inferior, pelo que investir em roupa térmica e num bom casaco corta-vento é algo a considerar.

Apertar o casaco: não subestimes este pequeno gesto


Em dias de muito frio e vento, é sempre boa ideia usar luvas. Além disso, um bom casaco corta-vento, resistente mas, sobretudo, leve, é algo imprescindível. Qualquer que seja o casaco que escolheres, lembra-te de que este deve ser impermeável e pouco volumoso, uma vez que o volume aumenta a resistência ao vento.

Outra peça de equipamento a considerar é um par de cintas com fechos de velcro que se colocam nas correias do capacete. Estas funcionam como proteção dos ouvidos, amortecendo o ruído do vento, mas permitindo ainda ouvir os ruídos do ambiente em redor. Modelos como o Cat-Ears Classics Pro, por exemplo, mantêm as orelhas quentes e são uma boa solução para os dias mais ventosos.

Na estrada: cinco truques para dominar as subidas

Quando ouvimos falar da quantidade de watts que os profissionais debitam, e vemos como eles parecem magros, pode haver a tentação de pensar que subir colinas se resume a potência e peso corporal. Embora ambos esses fatores sejam muito importantes, as subidas implicam algo mais. Vamos analisar mais em pormenor algumas técnicas e estratégias que podem ajudar a melhorar os tempos de subida sem necessidade de mexer na relação potência/peso.

Comece mais devagar do que acha que deveria

Um problema muito comum entre os ciclistas amadores é o facto de se sentirem cheios de energia ao iniciarem uma subida, ficarem muito excitados e gastarem muita energia logo no início de uma colina. Isto é especialmente comum em corridas ou passeios de grupo, em que os ciclistas menos experientes tentam acompanhar os mais rápidos. Lembre-se sempre de começar de forma conservadora. Dessa forma, talvez consiga manter o ritmo enquanto faz a subida e se adapta emocionalmente ao percurso ou, pelo menos, não fica completamente esgotado antes de chegar ao topo. Recorrendo a esta simples estratégia, conseguirá certamente ultrapassar outros ciclistas à medida que se aproxima do topo, e esse é precisamente o incentivo mental de que necessita para manter o ritmo.

Concentre-se e mantenha-se realista

Pode ser muito desmoralizante quando, no meio de uma subida, se começa a comparar com os melhores ciclistas do seu grupo, com as suas performances anteriores ou com o nível de velocidade e força que esperava alcançar. Pode evitar o sentimento de frustração se usar a sua energia mental para tirar o máximo proveito do poder que realmente possui, em vez de se torturar com a imagem de um desempenho que não está ao alcance das suas capacidades. Portanto, quer se considere ou não bom a fazer subidas, quer esteja ou não a ter um dia bom, pense positivo e concentre-se naquilo que pode de facto controlar.

Mantenha-se no selim o máximo de tempo possível

Manter-se no selim permite-lhe gastar menos energia e manter uma frequência cardíaca mais baixa, em comparação com levantar-se para pedalar. Isto é especialmente importante em subidas mais longas, se pretender melhorar sua eficiência. Tente manter uma cadência entre 80 e 85 rotações por minuto e guarde o pôr-se de pé para subidas mais curtas ou para os troços mais a pique da sua subida.

Aprenda a usar seu peso corporal em pé

Embora levantar-se do selim seja menos eficiente, este gesto permite gerar mais energia por um determinado período de tempo. Isto porque se pressionam os pedais com a totalidade do peso corporal, e não apenas com o poder das pernas. Para o fazer da forma correta, ao se levantar deve subir uma ou duas mudanças, porque irá estar a fazer mais força, mas com menos cadência. De seguida, dirija a perna inteira para baixo, a partir do quadril, e continue a balançar de um lado para o outro enquanto alterna as pernas para mudar o seu centro de massa acima da pedaleira. Uma dica profissional: se pedalar em grupo, assegure-se de que mantém alguma pressão nos pedais enquanto se levanta, a fim de evitar uma ligeira desaceleração que possa colocar em risco o ciclista atrás de si.

Guarde a sua energia para os momentos mais difíceis

Quando se depara com uma subida longa, que tanto tem partes mais planas como outras mais íngremes, pode ser tentador acelerar nas zonas planas para ganhar impulso. Mas há estudos que mostram que aumentar a potência de acordo com a inclinação da subida leva a tempos globais mais rápidos. Portanto, quando a subida for mais suave, concentre-se em permanecer firme e use o alívio temporário para beber água e se preparar para o resto. Isto irá permitir-lhe esforçar-se um pouco mais nas partes mais íngremes, aquelas em que irá beneficiar mais da sua energia.

O que é que o BTT pode aprender com o ciclismo de estrada

Podem parecer mundos diferentes, mas a verdade é que os praticantes de BTT podem aprender algumas coisas com os seus colegas devoradores de asfalto, para serem ainda melhores ciclistas. Como assim? Eis cinco formas como os dois mundo se podem tocar.

Pensa bem no equipamento que vais usar

Como os ciclistas de BTT estão habituados a levar às costas uma pequena mochila, têm a tendência para levar mais coisas do que necessitam. É um pouco como quando vamos de viagem com uma grande mala, e acabamos sempre por levar mais roupa do que precisamos realmente. Contudo, quanto mais peso se transportar na bicicleta, mais energia terás de despender no teu percurso. Os ciclistas de estrada, pelo contrário, conhecem as vantagens de não levar praticamente nada consigo que os possa fazer perder energia e velocidade. Há coisas, como câmaras de ar suplentes, que podem perfeitamente ser geridas no grupo, e partilhadas caso alguém necessite. Se os ciclistas de estrada conseguem fazer uma viagem de 100 quilómetros sem uma mochila cheia de material e mantimentos, também tu poderá fazê-lo. As camisolas com bolsos traseiros podem ter um aspeto engraçado, mas são bastante úteis para transportar coisas essenciais, como uma pequena bomba de ar, uma câmara de ar extra, uma barra de cereais ou um pequeno canivete multiferramentas.

Reduz a resistência aerodinâmica

Pedalar no meio de um grupa faz com que a resistência aerodinâmica seja reduzida, permitindo gastar entre 50 a 70 por cento menos energia do que quando se pedala sozinho. Isto faz com que a velocidade de cruzeiro de um pelotão seja até três vezes mais rápida. Embora os ciclistas de BTT não se importem muito com as leis físicas ao andar fora da estrada, pedalar em grupo desta forma pode ajudá-los a ganhar velocidade nas alturas em que usam a estrada até chegarem aos seus trilhos preferidos.

Enche mais os pneus para percursos longos

Reduzir a pressão do ar nos pneus pode ajudar a ter melhor aderência nos trilhos, quando nos confrontamos com raízes escorregadias ou pedras molhadas. Mas, ao mesmo tempo, um pneu menos cheio aumenta a resistência que é preciso ultrapassar para continuar em movimento. Se estás a planear um percurso por trilhos tecnicamente exigentes, mesmo que tenhas uma boa suspensão na tua bicicleta, é recomendável ter uma menor pressão do ar nos pneus. No entanto, se planeias fazer um percurso mais longo em estrada ou em caminhos com o piso mais liso, terás toda a vantagem em encher bem os pneus, pois mais pressão irá ajudar-te a poupar alguma energia na pedalada.

Define os teus objetivos

Os ciclistas de estrada tendem a ser mais competitivos do que os ciclistas de BTT, cuja motivação parece ser sobretudo a diversão. No entanto, definir metas e objetivos pode ser positivo mesmo para os praticantes de BTT. Também no ciclismo de montanha se pode melhorar a forma física, não só em percursos espontâneos, mas definindo um plano de treino e participando em provas locais.

Tem em conta a nutrição e a hidratação durante os percursos

É habitual que os praticantes BTT aguentem a fome ou a sede até chegarem ao final do percurso ou à próxima paragem planeada, mas o ciclistas de estrada estão habituados a comer e a beber algo enquanto pedalam. Isso ajuda-os a não sentirem tanta a fadiga e evita gastos de energia desnecessários devido à exaustão. Uma barra de cereais ou uma bebida energética no momento certo faz a diferença.